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O presente texto impresso em placa policromática, é parte integrante da
Exposição Fotográfica
"Um olhar brasileiro"
A arte da imagem ao lado foi feita por Josette Garcia a partir da original,
Aveiro, fotografada por Jorge de Souza Araújo, um dos expositores. (confira)
Olhares...
© Marcos Palacios
Engana-se quem acredita que os olhos sirvam apenas para ver.
Pode-se baixar os olhos ou levantá-los aos céus, sem nada olhar ou ver.
Pode-se ter o olho maior que a barriga e, sem qualquer canibalismo, comer com os
olhos um saboroso olho-de-sogra.
Pode-se colocar alguém no olho da rua ou do furacão. Pode-se sofrer muito com
um olho de perdiz no pé, tipo de calo que só quem teve sabe o que é.
Há quem não consiga pregar os olhos por noites seguidas, como há quem bote
olho gordo na vida e nas coisas dos outros.
Coisas que, aliás, podem custar os olhos da cara. E há quem acredite que o
olho do patrão engorda a boiada...
Olha-se com todo o tipo e qualidade de olho. olhos de lince, de águia, de peixe
morto.
Olhos de secar pimenteira e matar pinto.
Olho nu, olho clínico, olho comprido, olhos vivos, distantes, sonhadores,
pisados, torcidos, esgazeados, perdidos, rasos d'água.
Olha-se através de todas as cores e matizes: olhos negros, azuis, verdes,
cinzas, castanhos, violáceos, o branco do olho do cego a fitar o vazio, o
vermelho-dor a colorir os do amante abandonado.
E, com tanto tipo de olho, hão de multiplicar-se olhares, modos de comunhão
com as coisas e as gentes, a depender do tempo e lugar de onde se vê.
Olhares de frente, de lado, de pressa, de pena, enfado e nojo; de esguelha, de
inveja e de través.
Olhares rápidos, oblíquos e sorrateiros, fixos e contemplativos, olhares
amigos, mansos e compreensivos, amorosos, safados, indiferentes e apaixonados,
olhares profissionais e amadores, comprometidos, céticos, imparciais, cansados.
olhares curiosos, saudosos, críticos e receptivos, olhares significativos...
E há até mesmo quem diga que, dentre tantos olhares, há um olhar brasileiro
para as coisas e as gentes lusitanas.
Olhar mestiço, daqui e d'outras tribos, olhar travesso, com uma ponta de
malícia. olhar de uma certa cumplicidade quase irmão.
Olhar de descoberta de um outro que, sendo tão diferente, tem para nós tanto
de espelho.
E é ver para crer...
A exposição fotográfica sobre Portugal, “Um olhar brasileiro”, é
composta de fotografias produzidas pelos membros da ABRUNA- Associação
Brasileira de Acadêmicos na Universidade de Aveiro (Portugal), entremeadas às
suas atividades acadêmicas, e por isso, momentâneamente, alçados à
condição de fotógrafos, por gosto e ao gosto, do cotidiano.
Belíssima em imagens e poesia...
Confira mais sobre esta exposição em www.ca.ua.pt/abruna/expo_gale_1.html
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