METADES
Josette Garcia

 

 

 

Cada qual somos metade,
porque a vida, de escolhas é feita
Ainda que haja o talvez...
Somos o sim e o não,
pertinentes à verdade
para a realidade, eleita.
Somos o erro e a razão,
muito embora haja a loucura...
Somos o antes e o depois,
ainda que vivamos o agora.
Somos saúde e doença
(para a qual haverá, sempre, a cura
ou a pesquisa para obtê-la
graças à nossa ciência).
Somos luz e escuridão,
simplesmente porque
uma precisa da outra
e, seja qual for a posição,
só ambas, juntas, projetam sombra...
Somos corpo e espírito,
embora, só na alma, resida a essência.
Somos a coragem e o medo,
porque em nós gritam paixões
(e nisso, não há nenhum segredo
em nossa breve permanência)...
Somos a vida e a morte,
mesmo que, nesta existência
suponhamos  uma de cada vez.
Somos o som e o silêncio,
ainda que de ambos dependam
os sons das nossas vozes.
Somos devaneio e lucidez,
ambos necessários, ainda que, por vezes,
tornem-nos calmos ou ferozes.
Somos um constante ir e vir,
oscilantes como a maré
porque, mesmo estando aqui,
podemos também estar distantes,
em quaisquer outros lugares...
Sob forma de pensamento, emoção e fé,
podemos atravessar os mares
a todos e quaisquer instantes...
Somos dúvida e certeza,
porque ambas coexistem
na mesma intensidade.
Somos o certo e o errado,
porque é do erro que se tira o acerto.
- Esta é uma grande verdade!
E não há quem não tenha pecado
com o outro ou consigo mesmo...
Somos ilusão e realidade
e, em busca da nossa metade,
parecemos procurar a esmo...
De nada nos adianta apenas sabe-la,
Tanto quanto qualquer outra arte,
sempre nos será necessário senti-la...
E é igualmente sagrada,
pois sendo que, nossa metade,
nos é necessária parte...
Ao achar, tal busca quase sem nexo,
nem sequer avaliamos
que ambas, só se completam,
de uma única maneira:
- Quando se encontram e se entregam
tornam-se uma só...  Inteira,
no encaixe de côncavo e  convexo...
E cada um de nós, em busca
do seu faltante complemento,
torna-se instável e inquieto...
Tolo mesmo é quem não percebe
o quanto nasceu incompleto
e que a cura, enfim, de tal dor
é compreender  quanto há de diferente
na sua parte faltante...

Esta anáçlise enfoca
Que, talvez Deus assim fez,

para ensinar-nos o real valor
que há no gesto da troca,

e que,  cada coisa tem sua vez...
E que só a inexplicável magia do amor
é o que nos torna igual e semelhante.

 
 
 
 
 
 
 

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