MISERICÓRDIA
Josette Garcia

 

 
 

Rogo a Deus muita misericórdia
Para com os que plantam a maldade
E disseminam os frutos da discórdia
Com requintes pertinentes à crueldade.
Que a Divina justiça seja-lhes amena,
Nos momentos das colheitas irrevogáveis,
Em suas existências, dignas de pena,
Por suas manifestações, tão lamentáveis...
Que mal reconhecem, devido à vaidade,
O quanto mais tornam ínfimas e pequenas
As suas sendas, já tão miseráveis...
E, em sua mesquinharia e egoísmo,
Desconhecem a própria enfermidade
E o verdadeiro valor do altruísmo,
E todo o seu real teor e beleza.
Peço-te Deus, ainda,  infinita piedade,
Com a mais profunda comiseração,
Para aqueles  que ignoram a nobreza
Que existe no sentir da gratidão.
A essas pobres almas, já tão infelizes...
Tão mal curadas são suas feridas
Que, denotadas por visíveis cicatrizes,
Por suas frustrações, marcadas,
Não sabem elevar as irresolutas vidas...
Infames criaturas mal-amadas,
Desperdiçando tantas oportunidades,
Machucam mais, suas almas já sofridas,
Devido às suas próprias atrocidades.
Desconhecedoras do amor e da verdade,
Bálsamos, que acalentam os sofrimentos,
Dos que cultivam a paz e a boa-vontade...
E, não podendo usufruir tais unguëntos,
Reclamam,  praguejando a sua sorte,
E, vivendo pelos cantos, aos lamentos,
As “Eternas vítimas” da humanidade,
Transformam suas vidas na própria morte. 
Tentando chamar a atenção de forma errada,
Só fazem aumentar os seus tormentos
Ao tentar destruir as alegrias alheias.
E ao reviver as amarguras já passadas,
Estas criaturas, invejosas e ensimesmadas,
Peçonhentas, enroscam-se nas próprias teias,
Re-saboreando o fel de veneno, já destilado
E amargando o presente com o passado...
Cegadas pela ira, ofuscam-se com a luz,
Nem conseguem vislumbrar a claridade
Que só acompanha, orienta e bem conduz, 
Àqueles que semeiam a Tua bondade...

 

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