Durante muitos anos, entre minha fase de estudante, profissional
ou mãe, o tempo limitou minhas condições ao exercício de minha
paixão pela literatura e pela arte.
Quando muito
conseguia rabiscar algumas linhas nos espaços vagos de cadernos,
guardanapos e o que se fizesse mais próximo.
Acabei
guardando muitos deles durante anos, esquecidos em meio a
agendas, diários e livros que muito demoraram a ser novamente
folheados.
Foram muitos anos de sentimentos guardados,
gritos sufocados, linhas sepultadas que eu já julgava mortas.
De uns anos para cá, quando dei um tempo para minha vida
profissional, comecei a achá-los e enamorar-me novamente, como
se aquele amor de adolescente, que há muito não via, e, ao
repassá-los e corrigi-los, fui me dar conta que já levava
cadernos para perto do fogão ou da tarefa mais próxima.
Pintava escrevendo e vice-versa, como se uma coisa da outra
dependesse (e, talvez, assim o seja).
Concluí que eram
uma forma de externar meu sentir e, também, de dar uma razão
para que a vida não passasse em branco.
Repassar minhas
experiências vividas foi tornando-se, então, naturalmente, uma
maneira de amenizar, não só meus questionamentos mas de todos
que recebiam, em minhas linhas, um pouco de mim, outro tanto da
minha forma de acreditar e de agir, e se achavam na mesma
condição meramente humana de ser.
A partir da minha
adesão a alguns grupos que tem por finalidade trocar idéias e
informações literárias, fui me tornando uma defensora de
interesses comuns a muitos dos que me acercavam, direitos
autorais, luta pelo profissionalismo da classe de autores e
escritores, legislação, incentivo, repasse de informações e
desta forma, acabei me envolvendo em assuntos muito maiores do
que apenas os limitados horizontes dos meus escritos.
Embora de temperamento apolítico e muito mais técnico, tenho
ideais e objetivos direcionados para estas causas e algumas
condições para poder transforma-los em realidade, embasada em
terreno sólido e amparadas pelas necessárias forças e bons
relacionamentos conquistados ao longo de minha vida.
Espero fazer jus às expectativas dos colegas e poder acrescentar
à cultura, com alguns dos meus conhecimentos e boa vontade.
Creio também que com esta fusão de idéias e diversidade de
conhecimentos, poderemos não só crescer todos pelo mecanismo da
troca, como também unir forças para representar da melhor
maneira possível a todos os Associados e mantenedores que
conosco caminham na mesma direção em busca de cultura, educação,
incentivos, direitos e divulgação.
Josette
Garcia
Nosso
Contador desde 15.04.2004
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